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sábado, 30 de junho de 2012

O Guardião de Livros: a história revisitada

O entusiasmo pelo livro começou ao vê-lo na vitrina de uma livraria de shopping. O que primeiro me atraiu foi a bela capa, com um ornamento antigo em primeiro plano e uma estante de livros ao fundo. Embaixo, uma tomada do porto do Rio de Janeiro.

Fiz uma pesquisa na internet para saber um pouco mais sobre a autora Cristina Kace Norton. Ela nasceu a 28/02/1948. Ela é argentina, da cidade de Buenos Aires, entretanto, reside há mais de trinta anos em Portugal, onde se naturalizou. Trabalha, desde 1998, em oficinas de escrita criativa.

Do ponto de vista estrutural, várias vozes narram a história, como o escravo Manuel (Manuel Luís Cabinda), um negro que desejava ser como o seu amo; Luís Joaquim dos Santos Marrocos, o  guardião de livros de que trata o título e dono do escravo Manuel; Ana, a parceira de Luís; a escrava muda Gracinda e um narrador em terceira pessoa.

Marrocos é mandado para o Brasil, juntamente com 76 caixotes, contendo o acervo da Real Biblioteca do Palácio da Ajuda. Tal carregamento fora esquecido na cais de Belém, pois toda a corte portuguesa viajara atabalhoadamente para o Brasil, fugindo do exército invasor de Napoleão Bonaparte. Como Luís Joaquim já trabalhava na biblioteca real como bibliotecário, cabe-lhe a obrigação de acompanhar a transferência das suas tão queridas obras.

Aqui chegando, o bibliotecário não gosta do que vê. O Rio de Janeiro é sujo, quente demais, tem escravos demais e a população lhe parece mal-educada e iletrada. Ele sofre muito, pois é hipocondríaco e as doenças no Rio de Janeiro são comuns, principalmente por causa das parcas condições higiênicas. Entretanto, Marrocos vai mudando sua maneira de ver o Brasil e sua gente, pois o “destino” lhe reserva algumas surpresas.

Instala a Biblioteca Real, cai nas graças da corte portuguesa, mora numa boa casa e ganha a companhia de uma mulher brasileira.

A autora teve a boa idéia de acrescentar alguns trechos de cartas de Marrocos a seu pai Francisco e à irmã Bernardina, contribuindo para a construção do personagem principal. Além disso, alguns  documentos históricos  transcritos, sob o nome “Crônicas da Corte” têm a função de conferir veracidade à narrativa e por isso mesmo, conseguem trazer os fatos narrados para mais perto de nós.

Vários acontecimentos vão recheando o enredo, bem conduzido pela autora:  a  escrava muda Gracinda revela um segredo guardado durante duzentos anos; um cientista judeu naufraga nas ilhas Malvinas, arrastando consigo dois livros raros; para apimentar a história, Marrocos descobre as delícias do sexo com uma carioca; por fim, um escravo apaixona-se por quem não deveria ser o objeto de seus sonhos.

Cristina Norton. O Guardião de Livros. Editora Casa da Palavra. Rio de Janeiro, RJ, 2011. 310 páginas.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O menino do pijama listrado

A família é composta por Bruno, de 9 anos de idade, o pai, a mãe, a irmã Gretel, de 12 anos. Vivem na Alemanha hitlerista, numa casa de cinco andares em Berlim. Trabalham na mansão da família o mordomo Lars e a governanta Maria. Bruno tem três melhores amigos: Karl, Daniel e Martin.

Essa aparente tranquilidade começa a ser perturbada quando o pai de Bruno é designado para uma tarefa de alta consideração; sendo comandante do exército de Hitler, é enviado para um local distante, cujo nome Bruno não consegue pronunciar perfeitamente. O campo de concentração de Auschwitz só lhe sai “Haja-Vista”. Também o Füher é transformado, na boca de Bruno, em o “Fúria”.

Inicialmente, o menino detesta a nova casa: só tem três andares, não há o corrimão pelo qual ele gostava de escorregar. Não há vizinhos nem outras crianças com quem possa brincar. Sobretudo, pensa Bruno, não existem coisas interessantes a explorar. Desta forma, só tem a irmã Gretel com quem interagir. Mas ela é um Caso Perdido. Implica com ele o tempo todo, se vangloriando de sua inteligência e “experiência” maiores; afinal, ela tem 12 anos e Bruno, apenas 9!

Toda a história é contada do ponto de vista do menino. Ele não entende direito o funcionamento do mundo dos adultos. Entretanto, é inquieto, indagador dentro de suas possibilidades. Gosta de ler histórias, sente falta da avó que lhe proporcionava atuar em peças escritas por ela mesma, encenadas na época do Natal. Ela sempre fazia roupas adequadas à personagem interpretada:

“Lembra-me das peças que ela costumava encenar comigo e com Gretel”, disse Bruno, tirando os olhos de Shmuel, enquanto recordava aqueles dias distantes, ainda em Berlim, parte das muito poucas memórias que se recusavam a se desvanecer. “Lembra-me de como ela sempre tinha a roupa certa para mim. Usando a roupa certa, você se sente como a pessoa que está fingindo ser, ela sempre me dizia.” (página 178)

Certo Sr. Lizt é contratado para dar aulas para Bruno e Gretel. Ele só lhes ensina História (da Alemanha, é claro) e Geografia. Diz que o resto não tem importância. Nessa vidinha de interior, sem ter nada para fazer, o menino se aproxima das pessoas simples da casa, como Maria e Pavel, um estranho homem, convocado a trabalhar como servente da cozinha e que demonstra conhecimentos médicos quando Bruno se machuca ao cair do balanço:

“O que vai acontecer comigo, então?”, perguntou Bruno, sentindo o pânico crescer dentro de si, uma emoção que poderia levá-lo às lágrimas. “É capaz de eu sangrar até a morte.”

“Pavel sorriu gentilmente e balançou a cabeça. “Você não vai sangrar até a morte”, disse o servente, puxando um banco e acomodando sobre ele a perna de Bruno. “Fique parado um instante. Há um estojo de primeiros socorros bem ali.” (página 74)

Da janela da casa Bruno vê um campo imenso, cercado de arame e decide que tem de ir lá explorar. Encontra Shmuel, um menino triste, que nasceu no mesmo dia e ano que ele: 15 de abril de 1934. Ambos têm, portanto, 9 anos. Shmuel mora do outro lado da cerca. A amizade entre os dois toma proporções cada vez mais profundas. Embora com uma carga de experiência amarga, a qual lhe proporciona uma melhor visão sobre sua própria condição, Shmuel é doce e desesperadamente necessitado de um amigo.

Mais tarde, Bruno descobre a palavra “judeu”: seu amigo Shmuel e todos os que vivem do lado de lá da cerca são judeus, assim como Pavel, o servente. O jovem não sabe exatamente o que a palavra significa, mas intui, aos poucos,  que algo de muito ruim acontece aos judeus. Eles sofrem as piores humilhações, são apartados do convívio com os alemães (os soldados germânicos são vistos por eles como uma constante ameaça e perigo de vida).

O livro pode ser entendido de algumas maneiras. É um libelo contra o holocausto e, nesse item, aproxima-se de O Diário de Anne Frank; é também a exaltação da amizade, que, sendo pura, pode extrapolar classes sociais díspares. Ainda, mostra alemães contrários ao projeto hitlerista, assumindo como podem suas posições contrárias ao regime dominante. A briga entre o comandante e sua mãe é exatamente por isso: ela não concorda com a atuação dele, principalmente, com a adesão do filho à ideologia hitlerista. A mãe de Bruno também se sente mal com as escolhas do marido, mas é fraca demais para contrariá-lo.

O texto é enxuto, liricamente construído em 186 páginas. Li, em alguns textos críticos, que John Boyne (autor de O menino do pijama listrado) perdeu a oportunidade de ser mais contundente na condenação do holocausto. Discordo completamente. O valor do livro como um libelo contra o nazismo, contra os horrores do holocausto, está exatamente na forma como o autor narra a história. Escolhendo o ponto de vista de Bruno, com sua candidez, ingenuidade, Boyne atinge a meta de seu projeto literário: o testemunho pela emoção. Como se nos dissesse: a sensibilidade é capaz de nos elevar, ou de nos levar a não cometermos erros monstruosos como os de Auschwitz.

John Boyne. O menino do pijama listrado. Tradução de Augusto Pacheco Calil. Cia das Letras, São Paulo, SP, 2007. 186 páginas.

domingo, 24 de junho de 2012

Uma coleção recomendável

Tinha prometido a mim mesmo que não compraria mais livros de coleções ofertadas em bancas de revistas. Afinal, as escolhas não são nossas, e isso pode gerar um volume de obras inertes na biblioteca particular. Tenho prazer em fazer minhas próprias opções literárias, normalmente, de livros que começo a ler tão logo os compro.

Essa coleção da Folha de São Paulo, de Literatura Ibero-americana, entretanto, mudou meu propósito. Pelo preço bastante acessível de R$ 16,90 compro livros importantes, com bom acabamento. A periodicidade é de um volume por semana, sempre aos domingos.

Talvez, por iniciativa própria, não teria acesso a tais livros e escritores. A seleção é muito bem feita; temos ali o Neruda, o Garcia Lorca, o Jorge Luís Borges,o Bioy Casares, o Mário Vargas Llosa. Além desses, mais: António Lobo Antunes, José Saramago, Milton Hatoum, Lygia Fagundes Telles, Moacyr Scliar, Raduan Nassar, Cabrera Infante, etc. Um seleção de peso. São vinte e cinco volumes, ao todo. É realmente uma oportunidade e tanto para se ter em casa obras representativas da literatura ibero-americana. Gostaria que a Folha considerasse a possibilidade de fazer algo semelhante com a literatura africana de expressão portuguesa.

domingo, 17 de junho de 2012

A elegância do ouriço: uma distopia

Nunca havia ouvido falar desse A elegância do ouriço e nem de sua autora marroquina, Muriel Barbery. Entretanto, a obra já vendeu mais de um milhão de exemplares ao redor do mundo, sendo, segundo nos informa a 4ª capa da obra, mais de 850 mil só na França.

Muriel Barbery nasceu no Marrocos, em 1969. Formou-se pela École Normale Supérieur, em Paris, e lecionou filosofia em Saint-Lô, na Normandia. A morte do gourmet, seu romance de estreia (2000), ganhou o prêmio de Melhor Livro  de Literatura Gourmande. Desde 2008 a autora vive em Kyoto, no Japão.

O livro A Elegância do ouriço já estava na fila das minhas leituras há algum tempo. Foi-me emprestado por uma colega, também professora. Muito bem, comecei a lê-lo. Como vários leitores, li até uma parte e a leitura travou.

Reconhecendo certos indícios promissores na obra, resolvi investir minha disciplina no projeto de leitura e continuei. Não gosto de deixar livros que começo a ler sem a devida finalização, quando por nada, pelo menos para ser honesto ao dizer “não gostei desse”. Ou, talvez por muito respeito à literatura, não sei. Mas o fato é que continuei a ler.

O restante foi puro prazer, tanto estético como intelectual, pois o livro é muito, muito bom mesmo. A elegância do ouriço é explicitamente filosófico, mas – pontos para a autora – coloca as considerações de maneira leve e atraente.

Todo o enredo se passa num prédio de apartamentos luxuosos à Rue de Grenelle, 7, no qual vivem pessoas ricas. Lá trabalha uma concierge, de nome Renée, mais conhecida como Sra. Michell. É viúva, e tem como companheiro de sua solidão um gato chamado Leon, em homenagem ao escritor russo Leon Tolstoi. Renée faz o possível e o impossível para se fazer passar por uma pessoa sem cultura, embora seja amante de literatura e possua uma profunda visão filosófica sobre o mundo e pessoas. Começou aí o meu estranhamento: uma simples zeladora ter predileções tão eruditas e mais, não querer se fazer valer delas.

Há também uma menina de 12 anos, Paloma, que faz anotações de seus pensamentos profundos e sobre o movimento do mundo. Ela havia prometido a si mesma que, se não conseguisse achar um sentido para a vida, se suicidaria no dia dos seus 13 anos e atearia fogo ao seu apartamento. Acontece que a pequena Paloma compartilha com Renée o olhar filosófico sobre seu redor. Esse foi o segundo estranhamento: uma menina de apenas doze anos e já preocupada com questões filosóficas e, ainda, sendo capaz de explicitá-las.

Como se estivessem colocadas por trás da cortina de luxo dos maneirismos dos moradores do prédio da Rue de Grenelle, as duas fazem releituras daquelas pessoas, vendo-as por trás de suas máscaras de convenção social. Esses relatos são, às vezes, sutis e bem-humorados; noutras, entretanto, prevalece a crítica ácida.

Um terceiro elemento entra na composição dessas personagens que têm uma visão distópica daquela aparente harmonia, sossegada convivência dos vizinhos: o Sr. Kakuro Ozu. Ele é um japonês que adquire um apartamento quando um dos moradores morre e o imóvel é posto à venda.

Sendo um elemento de fora, trazendo uma visão de uma cultura diferente, japonesa, embora ele se expresse bem em francês, ele forma com Renée e Paloma um trio dissonante. Como Renée, ama a literatura russa; como Paloma, tem gosto por questões filosóficas. Como as duas, não se enquadra no padrão intelectual e comportamental dos residentes do prédio.

Eis alguns trechos pinçados da obra:

“Mas para que serve a gramática?”, ele perguntou. “Você deveria saber”, respondeu a senhora-eu-sou-paga-para-ensinar-lhes. “Bem, não”, respondeu Achille com sinceridade, pelo menos dessa vez, “ninguém nunca se deu o trabalho de nos explicar isso. “A sra. Maigre deu um longo suspiro, do tipo “será que ainda tenho que aguentar perguntas estúpidas?”, e respondeu: “Serve para falar bem e escrever bem”.

Aí então, achei que ia ter uma ataque cardíaco. Nunca ouvi nada tão inepto. E com isso não quero dizer que é errado, quero dizer que é realmente inepto. Dizer a adolescentes que já sabem falar e escrever que a gramática serve para isso é como dizer a alguém que é preciso ler uma história dos banheiros através dos tempos para fazer xixi e cocô. É sem sentido!” (página 167)

“Pessoas inteligentes, há aos montes. Há muitos débeis, mas também muitos cérebros extraordinários. Vou dizer uma banalidade, mas a inteligência, em si, não tem nenhum valor e nenhum interesse. Gente muito inteligente dedicou a vida à questão do sexo dos anjos, por exemplo. Mas muitos homens inteligentes têm uma espécie de bug: consideram a inteligência como um fim. Têm uma única ideia na cabeça: ser inteligente, o que é muito estúpido.” (página 177)

“Para que serve a Arte? Para nos dar a breve mas fulgurante ilusão da camélia, abrindo no tempo uma brecha emocional que parece irredutível à lógica animal. Como nasce a Arte? Nasce da capacidade que tem o espírito de esculpir o campo sensorial. Que faz a Arte por nós? Ela dá forma e torna visíveis nossas emoções, e, ao fazê-lo, apõe o selo de eternidade presente em todas as obras que, por uma forma particular, sabem encarnar a universalidade dos afetos humanos.” (página 218)

E por último, por que o nome do livro, A elegância do ouriço? Deixo o próprio texto se explicar:

“A sra. Michell tem a elegância do ouriço: por fora, é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes.” (página 152)

A elegância do ouriço não é um livro fácil de se ler. Pede urgente(s) releitura(s) pela sua densidade de informações, pela sutileza na composição dos personagens e situações. Se você, leitor, começou a ler e parou em algum ponto do texto, insista e será premiado; se você ainda não leu, faça-o! Eu vou adquiri-lo, para mais releituras.

Muriel Barbery. A elegância do ouriço. Companhia das Letras. São Paulo, SP, 2011. 350 páginas.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

História do Estádio Independência

É um projeto muito interessante o BH. A cidade de cada um. De acordo com a orientação desses trabalhos, um autor é convidado para escrever algo sobre várias localidades de Belo Horizonte. Tal colcha de retalhos acaba nos dando uma visão deliciosa sobre nossa cidade. Não há compromisso com a pesquisa histórica; vale, de acordo com o explicitamente exposto, a memória afetiva. Este volume 3, dedicado ao Estádio Independência, traz crônicas saborosas de Jairo Anatólio Lima.

Jairo foi locutor e cronista esportivo; transmitiu mais de três mil partidas de futebol e cobriu sete Copas do Mundo. Uma pessoa assim terá muito o que contar sobre o que viu e ouviu nesses anos todos, pelos campos do Brasil afora. E, certamente, está gabaritado para nos conduzir num passeio temporal pelo Estádio do Horto.

E coisas curiosas vão aparecendo: as impressões sobre a partida Inglaterra e Estados Unidos, pela Copa do Mundo de 1950 – a mesma vencida pelo Uruguai e que nos maltrata a memória de brasileiros, até hoje.

Ele nos conta, por exemplo, que o clima popular era francamente favorável aos Estados Unidos, por causa da empáfia do ingleses; estes recusaram-se a ficar em Belo Horizonte, indo diretamente para as dependências da Mina de Morro Velho, em Nova Lima, que era dos ingleses. Contra toda as expectativas da crônica especializada da época, ganharam os Estados Unidos, de 1 X 0.

Bola Na Madrugada nos fala de uma incrível partida de futebol, disputada no Independência às duas horas da manhã:

“Pouca gente sabe  da história de um incrível jogo de futebol realizado às duas horas da madrugada no Estádio Independência. Talvez tenha sido caso virgem  na história do futebol, não só no campo do Sete de Setembro. Pois houve este jogo. Mais precisamente na madrugada do dia 21 de maio de 1969. Estava o país vivendo todo o clima do movimento militar que eclodira cinco anos antes. Censura, caça aos chamados ‘terroristas’, ‘subversivos’ e outras classificações. Mas todos  sabem o que é o jornalista, o cronista, o homem de rádio, o homem de televisão, o homem de jornal. […]  Lá pelas tantas,  já com a cara mais cheia do que vazia, alguns dos frequentadores do [restaurante] Rosário, vindos do Mineirão, tiveram uma ideia genial. Que tal realizarmos um jogo esta madrugada? A proposta saiu, sabem de quem? Do então solteirão cobiçado Ronam Ramos de Oliveira, o repórter da camisa amarela.” (páginas 30-31)

As donas dos famosos “rendez-vous”, casas de prostituição, como a famosa Zezé, iam ao Independência, na mais discreta aparência, fazendo desfilar suas meninas para a apreciação masculina. A célebre prostituta Hilda Furacão também frequentava o Estádio. Ela era atleticana e acabou se casando com Paulo Valentim, ídolo do Galo. Há jogos memoráveis do Atlético, golaços, detalhes pitorescos dos galãs-jogadores e o assédio feminino que, gostosamente, sofriam. O folclórico técnico Yustrich, com fama de homem durão é lembrado. Raimundo Sampaio, presidente pétreo do time do Sete de Setembro, a quem pertencia o campo, não tinha dinheiro para cuidar do estádio do Horto como devia. Usava cabras para “aparar” a grama do campo.

Os textos são despretensiosos, e talvez, por isso mesmo, encontram o tom certo para o público. Leiam, se puderem!

Jairo Anatólio Lima. Estádio Independência. Editora Conceito, BH, 2ª Edição, 2007. 84 páginas